Parentes pretendem contar à mãe, na segunda, que filha morreu em ataque a ônibus

Irmãos de Juliane Carvalho embarcam na segunda-feira para Brasília, onde ela está internada. Eles pretendem dar a Juliane a notícia da morte de sua filha, Ana Clara, queimada num ataque de criminosos a um ônibus na Vila Sarney Filho.

JULLY CAMILO

A família de Juliane Carvalho Santos, de 22 anos, mãe de Ana Clara Santos Sousa, de 6 anos – que morreu no dia 6 de janeiro, após ter mais de 90% do corpo queimado durante um dos ataques a ônibus, na Vila Sarney Filho (São José de Ribamar) – já cogita a possibilidade de informá-la sobre a morte da menina. Juliane está internada na Unidade de Queimados do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em Brasília.

Na próxima segunda-feira (10), Jorgiane e Diego Carvalho, irmãos de Juliane, embarcam para Brasília, onde, juntamente com a mãe deles – Filomena Donato Pires Carvalho, que acompanha Juliane no hospital – pretendem dar à mãe a notícia da morte de Ana Clara. A pequena Lorrane Beatriz Santos, de 1 ano e 5 meses, que sobreviveu ao ataque e teve alta no dia 15 do mês passado, vai viajar com os tios.

Juliane se recupera bem do tratamento para queimados, embora ainda não haja previsão de alta.

Segundo Jorgiane Carvalho, sua irmã é depressiva, e apesar de responder bem ao tratamento, tem apresentando tristeza e choro constante. Ela relatou que nos últimos dias Juliane lembrou-se por várias vezes do atentado ao ônibus, no qual estava com as duas filhas, e se emocionou bastante.

“A minha mãe continua com ela em Brasília e disse que esses dias têm sido difíceis, pois todo aquele triste episódio veio à tona, e ela se entristeceu muito. No fundo a gente acredita que ela já saiba ou sinta que a filha morreu, mas espera por nossa confirmação”, disse Jorgiane.

“Vou a Brasília com meu irmão e a Lorrane, com a intenção de dar a notícia e tentar confortá-la com a nossa presença e o nosso amor, mesmo sabendo que nada vai substituir essa perda”, explicou Jorgiane.

Na quarta-feira (5), Juliane passou pelo segundo enxerto de pele. “Eles estão retirando pele das pernas dela para colocar nas costas, pois foi o local mais afetado pelo fogo”.

A governadora Roseana Sarney na casa de Jorgiane no sábado (1º), para oferecer ajuda com as despesas dos parentes no tempo em que eles estiverem em Brasília.

“Estamos contando com essa ajuda. Afinal, vamos de avião e a minha passagem eu ganhei, mas do meu irmão estamos custeando; minha sobrinha Lorrane não paga nada. Porém, vamos precisar nos alimentar e nos locomover em Brasília. Temos uma tia que nos hospedará o tempo em que estivermos lá, mas precisamos de ajuda para as despesas”, afirmou Jorgiane.

MÁRCIO RONY – Gardênia Nunes, irmã do carregador Márcio Rony da Cruz Nunes, de 37 anos –que teve mais de 70% do corpo queimado no ataque ao mesmo ônibus em que estavam Julian e suas filhas Ana Clara e Lorrane –, informou que o estado de saúde de Márcio ainda requer cuidados, mas ele já apresentou melhora significativa. Márcio Rony está no Hospital de Queimaduras de Goiânia (GO). Ele já respira sem a ajuda de ventilação mecânica, não urina mais por meio de sonda e o os rins funcionam bem.

“Uma irmã nossa, Assunção Nunes, está em Goiânia com o Márcio. Ele não teve mais febre e já consegue até caminhar com a ajuda dos enfermeiros. Apesar de ainda estar à base de alimentação pastosa, ele já sente vontade de comer arroz com carne. Até uma banana ele já comeu, segurando com as próprias mãos, que ainda estão bem queimadas”, disse Gardênia Nunes.

Márcio Rony fez sua primeira cirurgia de enxerto de pele ontem (7).

No domingo (2), a governadora Roseana Sarney também visitou familiares de Márcio. O govern estadual se dispôs a custear as despesas da irmã do carregador que o acompanha em Goiânia.

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