Em busca de profissionais Sorocaba oferece auxílio de R$ 3 mil a médicos de fora

Pagamento seria um incentivo para atrair especialistas

Cada profissional participante do Programa Mais Médicos, do governo federal, que optar por trabalhar na rede de Saúde de Sorocaba poderá contar com uma "ajuda de custo" de R$ 3 mil por mês. Desse total, R$ 500 serão destinados para custear os gastos com alimentação e R$ 2,5 mil para o pagamento de aluguel. Com esse valor, os médicos poderão optar por imóveis de alto padrão na cidade, localizados em bairros valorizados como Santa Rosália e Campolim, por exemplo. Essa medida foi tomada pela Prefeitura de Sorocaba, pelo decreto 21.005, publicado na edição de ontem do Jornal do Município. O projeto deverá ser enviado à Câmara, para que vire lei e a Prefeitura possa oferecer essa ajuda adicional, que é prevista no edital de adesão ao Programa Mais Médicos.

Segundo o prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), o pagamento desse auxílio seria uma forma de incentivar os médicos a escolherem Sorocaba para o seu local de trabalho, já que a Prefeitura enfrenta dificuldades para a contratação de especialistas para atuar nas unidades de saúde do município.

Em julho do ano passado, quando a Prefeitura se inscreveu no programa, que destina médicos de outras cidades, Estados e até de outros países para municípios carentes e interioranos, foram solicitados 20 profissionais. Caso a cidade seja contemplada com esse total de médicos, a administração pública teria de desembolsar R$ 60 mil ao mês para pagar a alimentação e a moradia desses profissionais. O período máximo de pagamento do benefício é de 36 meses. "Os médicos que virão por esse programa já terão seu salário pago pelo governo federal. De nossa parte temos esse incentivo, para que a gente tenha preferência e tenha possibilidade de conseguir um número suficiente de médicos em especialidades que estão faltando no município", relata Pannunzio. Os subsídios pagos pelo governo federal são de R$ 10 mil ao mês.

Segundo o prefeito, a cidade enfrenta um problema na contratação de médicos, já que o último concurso, promovido no ano passado, teve baixa procura. "Nós realizamos um concurso de contratação de 189 médicos e não conseguimos chegar a 60. Portanto, precisamos trazer gente de fora, de outros municípios e Estados, e até mesmo de outros países, se for o caso. Sorocaba se inscreveu e se responsabilizou a receber e tudo indica que a medida foi absolutamente correta", diz.

Na época de divulgação do concurso, no final de julho do ano passado, o presidente do Sindicato dos Médicos de Sorocaba, Antonio Sérgio Ismael, evidenciou o que causa essa dificuldade na contratação de médicos na cidade. Ele informou ao jornal Cruzeiro do Sul que isso se justifica pela baixa remuneração e pelas más condições de infraestrutura nas unidades de saúde. Embora a Prefeitura tenha aprovado um adicional no ano passado, que elevou de R$ 45 para R$ 55 a hora paga aos médicos, Ismael afirmou que na rede privada o ganho médio seria de R$ 80 a R$ 100 a hora. Em relação a algumas especialidades, como a pediatria, frisou que há poucos profissionais no mercado e a remuneração na rede privada seria ainda maior, o que explicaria a dificuldade de contratação no serviço público. Ele foi procurado pela reportagem para comentar novamente sobre o assunto ontem, mas não foi encontrado.

Aluguel

Com os R$ 3 mil pagos pela Prefeitura, os médicos poderão gastar até R$ 2,5 mil com o pagamento do aluguel da moradia que escolherem. Segundo o delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de Sorocaba, Luiz Otávio Landulpho, com esse valor, eles poderão escolher imóveis de luxo na cidade. "São casas em terrenos grandes e com cômodos grandes, que não são de fácil locação, porque somente alguém que tenha um bom rendimento pode pagar", relata.

Segundo ele, essas casas, que são mais procuradas por grandes empresários e funcionários de alto escalão de empresas instaladas na cidade, são mais encontradas em bairros considerados nobres da cidade, como Santa Rosália e Campolim. "Tem em condomínios também, mas as pessoas conseguem imóveis melhores principalmente fora dos condomínios", diz.

De acordo com o Ministério da Saúde, os profissionais do Programa Mais Médicos farão especialização em atenção básica durante os três anos do programa. Os municípios ficarão responsáveis por garantir moradia e alimentação aos médicos, além de ter de acessar recursos do Ministério para construção, reforma e ampliação das unidades básicas.

A prioridade nas vagas será de médicos brasileiros e somente as que não forem preenchidas serão oferecidas aos estrangeiros. O Programa Mais Médicos faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de acelerar os investimentos em infraestrutura nos hospitais e unidades de saúde e ampliar o número de médicos nas regiões carentes do país, como os municípios do interior e as periferias das grandes cidades.

O programa prevê, também, a criação de 11,5 mil novas vagas de medicina e 12 mil de residência em todo o país, além do aprimoramento da formação médica no Brasil, com a inclusão de um ciclo de dois anos na graduação, em que os estudantes atuarão no SUS, cujo governo já admite rever a ampliação desse curso, após críticas e questionamentos feitos à Justiça por entidades e órgãos ligados a esses profissionais.

Na região, além de Sorocaba, os municípios de Araçoiaba da Serra, Capela do Alto, Ibiúna, Iperó, Salto, São Miguel Arcanjo, São Roque e Tietê também se inscreveram. São Roque, inclusive, já conta com uma médica cubana atuando em sua rede de saúde (como informa a matéria ao lado).

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