ATÉ QUE ENFIN: PRF PODERÁ TER POSTO EM TRECHO DA BR-230 PARA COIBIR PEDÁGIO INDIGINA

Faea critica pedágio e pede posto da PRF em trecho da BR-230, no AM Unidade ajudaria a evitar conflitos entre índios e fazendeiros, diz Federação. Na sexta, grupo ateou fogo em aldeia contra cobrança feita por indígenas.

A Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea) criticou o pedágio cobrado por indígenas no Distrito de Santo Antônio do Matupi, comunidade no Sul do Amazonas cortada pela BR-230 (Rodovia Transamazônica). Ao G1 , o presidente da instituição, Muni Lourenço, também cobrou a instalação de um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na localidade. Para ele, a unidade ajudaria a evitar desentendimentos entre indígenas e não-índios sobre o tráfego na rodovia. Desde o dia 25 deste mês, os conflitos entre fazendeiros, madeireiros e indígenas se agravaram na região - que abriga os municípios de Manicoré , Apuí e Humaitá.

Segundo o presidente da Faea, a cobrança de pedágio causa insegurança na área. "Os valores cobrados se diferenciam de acordo com o tamanho do veículo. O que nós defendemos com relação ao pedágio, é que isso seja paralisado", afirmou.

Para Lourenço, a atuação da PRF na área contribuiria para amenizar os conflitos. "Nós defendemos que seja instalado um posto da Polícia Rodoviária Federal na rodovia, para que se evite uma série de situações, inclusive de acidentes de veículos usados também pelos indígenas. Nós não temos, isso muito claro, absolutamente nada contra os indígenas. Defendemos é que efetivamente sejam cumpridas as leis, principalmente a garantia do ir e vir. De forma segura sem riscos com relação à integridade física", disse.

De acordo com o presidente da Faea, a produção agropecuária do Amazonas tem crescimento significativo no Sul do estado. "É uma região com grande aptidão para atividade primária, que tem beneficiado a população de Manicoré com aumento de renda e oportunidade de trabalho. Só no Distrito de Santo Antonio do Matupi [comunidade situada no km 180 da Transamazônica, em Manicoré] temos um dos maiores rebanhos pecuários do estado", afirmou.

O representante avalia que atividade econômica da região foi prejudicada na última semana, quando o conflito entre madeireiros, fazendeiros e índios se agravou. "Houve dificuldade para o escoamento da produção e do trânsito de veículos e caminhões. Ainda não temos o número exato do prejuízos", disse.

O Centro Integrado de Operações da Polícia Rodoviária Federal de Rondônia (PRF-RO), que é responsável pela fiscalização da área em questão, informou que há um posto do órgão na cidade de Humaitá. A unidade estaria aguardando a chegada de novos servidores para retomar as atividades que estão paralisadas. A reportagem também tentou contato com o assessoria da PRF-RO, mas as ligações foram direcionadas à caixa postal.

A cobrança de pedágio por parte dos índios não é legalizada na Transamazônia. "Para nós indígenas, isso é legal, apesar de que não existir na Lei. A rodovia levou à degradação do meio ambiente, introdução do álcool nas aldeias, entre outros problemas. Esses danos não foram reparados e nós entendemos que deveríamos fazer a cobrança como forma de compensação. Cabe ao governo regularizar, caso contrário vai continuar morrendo índios e não-indígenas. E nós queremos a harmonia", disse Marcos Apurinã, vice-presidente da Articulação dos Povos Indígenas de Rondônia (AIR), em entrevista ao G1 na sexta-feira (27).

Manifestantes incendiaram barco da Funai que prestava apoio aos indígenas

Conflitos O Sul do Amazonas sofre com constantes conflitos agrários. Há suspeitas de que a tensão na área se agravou após o desaparecimento de três homens na Transamazônica. Moradores da área culpam a etnia Tenharim de fazer o grupo refém dentro da reserva indígena, localizada na divisa entre os estados de Rondônia e Amazonas. Segundo eles, a suposta ação dos indígenas seria uma retaliação pela morte do cacique Ivan Tenharim. A polícia afirma que a liderança indígena morreu atropelada no início do mês de dezembro. Os indígenas suspeitam de assassinato, segundo Marcos Apurinã, vice-presidente da Articulação dos Povos Indígenas de Rondônia (AIR).

De acordo com o coronel Antônio Prado, comandante do 54º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS), no dia 24, véspera de Natal, familiares e amigos dos desaparecidos interditaram a balsa que faz a travessia do Rio Madeira, em Humaitá.

No dia 25 deste mês, moradores de Apuí e Humaitá promoveram diversas manifestações para cobrar agilidade da Polícia Federal de Rondônia (PF-RO) nas buscas pelos homens que desapareceram na rodovia . Os manifestantes chegaram a atear fogo nas sedes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) de Humaitá e em bens das instituições.

Após os ataques, 143 índios Tenharim passaram a receber segurança do Exército no 54º BIS, em Humaitá. Há crianças e adolescentes entre os abrigados.

Na tarde deste sábado (28), foram iniciadas as buscas, dentro da reserva indígena, pelos homens desaparecidos. A operação parou na noite de sábado e seria retomada na manhã deste domingo (29). De acordo com o 54º BIS ainda não há novas informações sobre as buscas. O G1 não obteve outros detalhes sobre a continuidade das ações realizadas neste domingo. Cerca de 400 homens do Exército, Polícia Federal, Força Nacional, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal atuam na operação.

"Nós esperamos e confiamos que as autoridades constituídas vão efetivamente implementar as medidas necessárias para a retomada da normalidade na região, que vive um momento de tenção extrema", ressatou o presidente da Faea, Muni Lourenço.

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