Sequestradores de menino de Imperatriz fazem ameaças aos pais em gravações



Sequestradores de menino no Maranhão fazem ameaças aos pais em gravações - A recepção foi com sorriso estampado no rosto. Pedro Paulo voltou para casa.
“Vida nova. Fazer de conta de que não aconteceu nada e tocar a vida normalmente”, diz Jurandir Mellado, pai de Pedro Paulo.
“Agora é só alegria”, comemora a mãe Elizângela Lemes.
A criança de 5 anos passou 14 dias nas mãos de bandidos. O pesadelo da família começou na manhã do dia 27 de junho. Era perto das 6h, quando dois homens aproveitaram a chegada da empregada e invadiram a casa. Parecia um assalto, mas foi bem pior.
Eram sequestradores que saíram de Imperatriz, no Maranhão, levando o menino e o carro da família, que tem uma pequena empresa na cidade. A mãe fez um apelo desesperado. “Eu imploro, para quer tiver alguma notícia do meu filho, pelo amor de Deus”, disse.
O carro usado na fuga foi abandonado no mesmo dia na cidade de Sítio Novo do Tocantins, a 20 quilômetros da casa da família. O primeiro contato aconteceu quase 36 horas depois do sequestro.
Na mensagem enviada para o telefone celular, havia a indicação de um ponto em uma rodovia, a 130 quilômetros do local onde a criança foi sequestrada. No lugar, o pai encontrou um cartão de memória com uma mensagem assustadora. O Fantástico teve acesso, com exclusividade, à gravação feita pelos sequestradores.
“Muita atenção nas instruções a seguir, são elas que levarão seu filho de volta até você. Informamos que estamos preparados e qualificados para qualquer situação. Inclusive, se o senhor tentar nos enganar, avisamos que o nosso insucesso resultará na morte do seu filho”, diz a mensagem.
Os bandidos mostram intimidade com a família: “Em nosso contato, nosso codinome será Chorrim. Segundo Pedrinho, esse é o nome do seu cachorro que morreu.”
E ameaçam: “Pedimos ainda, senhor Jurandir, que o senhor não envolva a polícia. O senhor tem o poder de afastá-los do caso”.
Na mensagem, eles dizem como deve ser feito o pagamento.
“O senhor, pronto para nos pagar, com o dinheiro em posse e com a disponibilidade para efetuar o pagamento a qualquer momento, e ainda sem o envolvimento da polícia, o senhor deverá expor na fachada da sua loja uma faixa branca com letras vermelhas, escrito o seguinte: promoção. Margarina com 20% de desconto.”
Eles mentem sobre o estado do menino.
“O seu filho está sendo mantido sedado por nós, e nós não temos pressa porque nós não temos trabalho nenhum. A pressa é toda sua. E se o senhor não cumprir o prazo, nós suspenderemos a alimentação do seu filho. Aí o senhor durma tranquilo e feliz com o seu dinheiro.”
E tratam o sequestro como uma negociação comercial.
“Mas não somos ambiciosos. Somos profissionais. Seu Jurandir, imagine que o seu filho tem uma doença. Ele está doente. E o seu dinheiro é a cura. Para nós, isso é apenas um negócio. Um negócio onde o senhor tem o que nós queremos e nós temos o que o senhor quer.”
“O que a gente mais queria ter o Pedro Paulo de volta e retomar a vida normalmente”, lembra Jurandir.
“Não tem nem como descrever o desespero. A dor”, acrescenta a mãe.
A prova de que a criança estava viva veio no dia 7 de julho em um vídeo gravado em um cativeiro. O menino pede ao pai que vá buscá-lo. Três dias depois, os pais receberam uma nova mensagem com o local onde seria feito o pagamento. Em uma rodovia, os bandidos colocaram bilhetes em recipientes plásticos. Seis no total, até finalmente chegar à indicação de onde o dinheiro deveria ser deixado.
Vinte e duas horas após o pagamento, Pedro Paulo foi libertado em frente a uma casa em Palmeirante, no Tocantins. O pai foi o primeiro a reencontrar o filho e enviou uma foto para a mulher.
“Quando vi aquele sorriso lindo e ele, mesmo abatido, com uma cara com sorriso de felicidade… Pra mim foi a melhor sensação”, conta Elizângela.
Horas depois, a polícia prendeu quatro sequestradores. Entre eles, um ex-funcionário de Jurandir. Em uma foto, ele aparece ao lado de Pedro Paulo e do pai, na noite de Natal.
Três pessoas ainda estão sendo procuradas: Antonio Luís Martins da Silva; Sebastião Soares da Silva e uma mulher que ainda não foi identificada.
Em imagens exclusivas, um dos sequestradores volta ao cativeiro em Aragua~ina, no Tocantins, onde o garoto ficou durante todo o tempo.
“A gente brincava com ele”, revela o sequestrador, que está preso.
A polícia recuperou parte do dinheiro. “Que sirva de lição aos delinquentes: não adianta. Nós vamos descobrir”, reforça o delegado André Gonsaim.
“Pedro Paulo renasceu para a gente e nós renascemos novamente. Porque nossa família se uniu novamente”, conclui a mãe. Informações do Fantástico.

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