'Faria tudo de novo', diz vereador acusado de corrupção em AL


Odilon Rios
Direto de Maceió
A Justiça de Alagoas concedeu o primeiro habeas-corpus a um dos integrantes do esquema de corrupção na cidade de Rio Largo, a 25 km de Maceió, onde todos os vereadores tiveram prisão decretada por aprovarem a venda de um terreno a uma empresa - quando o local deveria abrigar casas populares.
O vereador Reinaldo Cavalcante (PP) deixou a prisão e disse que não se arrepende do ato. "Se fosse preciso, eu aprovaria o projeto de novo", afirmou. "Nós autorizamos a alienação de um imóvel para fins habitacionais. No projeto, não havia discussão de valores", disse o integrante do Legislativo municipal.
Segundo o Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), do Ministério Público Estadual, em 2010, o prefeito de Rio Largo, Toninho Lins, encaminhou à Câmara projeto de lei para adquirir uma área de 252 hectares, da Usina Utinga Leão, em processo de falência, para a construção de casas populares. O valor da desapropriação da área seria de R$ 700 mil - a serem pagos à usina.
A Câmara autorizou a operação, mas, as casas não foram construídas. Assim, o prefeito encaminhou novo projeto à Câmara - desta vez pedindo autorização para vender o terreno a uma empresa comercial - pelos mesmos R$ 700 mil. Só que uma avaliação feita na área, a pedido do MP, constatou que o terreno valia R$ 21 milhões.
Isso significa que o metro quadrado do terreno custou R$ 0,27. A área foi dividida em 9 mil lotes, cada um custando não menos que R$ 20 mil. Casas e empresas são erguidas no local.
O chefe do MP, Eduardo Tavares Mendes, pediu a prisão de Toninho Lins. O pedido é avaliado pelo Tribunal de Justiça, que deve se posicionar na próxima semana.
Na tarde de sexta-feira, a revendedora de veículos Blumare - cujo um dos sócios é Marcelo José Martins, o Marcelo Cabeção, indiciado pela Polícia Federal em 2007 por ser o "agiota" da Assembleia Legislativa e um dos principais financiadores de campanhas eleitorais no Estado - foi alvo de busca e apreensão. Computadores, pen drivers e documentos foram recolhidos-além de uma arma, sem registro foram recolhidos. Para o MP, há relação entre a empresa e a venda do terreno.
Ofício do MP, encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), pede que o conselheiro do Tribunal de Contas, Cícero Amélio, seja investigado na fraude. Marcelo Cabeção e Amélio teriam se encontrado para falar sobre o terreno. O conselheiro é relator das contas na cidade.
Em 2007, Amélio foi indiciado pela Polícia Federal pelo desvio de R$ 300 milhões na Assembleia Legislativa. Segundo a PF, os dois já tinham uma ligação na Operação Taturana- na negociação envolvendo um Pajero Sport.

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