Igor Lago afirma que irá aceitar o desafio de reorganizar o PDT em todo o Estado

Igor Lago
médico Igor Matos Lago, de 42 anos, irá assumir a presidência do PDT no Maranhão. Em reunião realizada sexta-feira à noite (15), a Executiva do partido decidiu, por unanimidade, indicar o nome de Igor para que ele assuma o comando do PDT no Estado, em substituição ao seu pai, o ex-governador Jackson Lago, que faleceu no dia 4 de abril passado.
Durante a reunião, realizada na sede do partido em São Luís (Rua dos Afogados) , a cúpula pedetista decidiu também indicar o nome da viúva Clay Lago para substituir Jackson Lago na vice-presidência da Executiva Nacional do PDT. A decisão terá de ser homologada pela Executiva Nacional do partido.
Dizendo-se disposto a assumir o desafio de reorganizar o partido no Maranhão, Igor Lago ressaltou ontem que o PDT é o maior partido da Oposição no Estado.
“O PDT tem história de luta e história de lealdade, de respeito aos companheiros, não só do nosso partido, como dos partidos aliados, que também querem um Maranhão mais justo, mais democrático, mais digno e mais soberano. O PDT está se reunindo e vai procurar o melhor caminho para se fortalecer e continuar tendo uma participação ativa nos destinos do Maranhão”, declarou Igor Lago.
Ele acrescentou que o PDT é um partido forte e que tem grandes lideranças no Estado. Citou como exemplos o prefeito de Porto Franco, Deoclides Macedo; o ex-deputado e ex-prefeito de Timon, Chico Leitoa; os novos deputados Carlinhos Amorim e Valéria Macedo; e os veteranos deputados Camilo Figueiredo e Graça Paz.
“Cabe ressaltar que o PDT maranhense tem a maior militância partidária, tanto em São Luís quanto nos municípios do interior do Estado”, declarou Igor Lago, assegurando que, inspirado no legado de seu pai, tudo fará para que o PDT se fortaleça em todo o Estado, permanecendo nas lutas democráticas e populares do Maranhão. Na manhã de ontem, Igor Lago recebeu a reportagem do Jornal Pequeno no apartamento de seu pai, na Ponta d’Areia. Eis abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao JP:

Cassação do governador
“A cassação do mandato do governador Jackson Lago foi o maior ato de violência praticado pela Justiça superior eleitoral brasileira nestes últimos anos. Foi a maior violência jurídica e política e este episódio teve o patrocínio de poderosos da República para ressuscitar a oligarquia Sarney no Maranhão. Para dar de volta o poder que a oligarquia perdeu nas eleições de 2006. É muito triste perceber que, após dois anos, o Brasil, considerado uma República, um país democrático, soberano, ainda termos este tipo de papel da Justiça ser usada pelas velhas raposas políticas para obter de volta o poder perdido nas urnas”.

Futuro do PDT
“Papai, antes de partir para São Paulo com o objetivo de fazer o seu tratamento de saúde, deixou um caminho ao PDT. Formou-se uma Comissão Provisória, que ficou encarregada de decidir tudo que fosse relacionado a questões partidárias, de uma forma coletiva. E que o partido iria tomar cada decisão de acordo com a maioria dentro do Partido.
Então o futuro do PDT está pautado nesse caminho: no caminho da democracia e da luta histórica que o partido tem travado ao longo destes 30 anos. Ele deixou o caminho e acho que este é o caminho natural que o partido vai percorrer nos próximos anos”.

Urnas de 2010
“Quando saiu o resultado das eleições de 2010, eu estava com ele aqui. O pior resultado que poderia acontecer foi aquele de 2010. Foi uma grande decepção e, ao mesmo tempo, uma grande revolta. Porque ele viu neste resultado o quanto a eleição foi influenciada pelo imbróglio da chamada Lei da Ficha Limpa, que interferiu de forma direta no processo eleitoral de todo o país e, principalmente, aqui no Maranhão.
Aquilo ali foi uma ducha de água gelada naquele lutador de uma vida inteira, que consagrou sua vida à luta por um Maranhão mais justo, mais soberano, mais democrático, e ser afetado, não só pelo poder econômico dos adversários, tanto os Sarneys quanto os dissidentes dos Sarneys, estes últimos utilizando as formas mais baixas possíveis, durante a campanha eleitoral, de forma oportunista, de forma pequena, mesquinha. Para induzir o eleitor a votar no candidato Flávio Dino, e não no candidato Jackson Lago. Então, ele se sentiu muito decepcionado com o resultado de 2010”.

Doença
“Papai tinha a doença – o câncer de próstata – diagnosticada desde 2004. Ele foi tratado na época, ficou bem, controlou a doença. Mas em 2007 ela ressurgiu e ele então recomeçou o tratamento. É claro que um paciente com câncer, se ele tiver uma vida normal e feliz ele vai ter mais estímulos para enfrentar a doença. Ele fez o papel dele.
A gente não sabe, e não tem uma régua para medir o quanto que tudo isso que aconteceu com ele influiu na evolução da doença. Isto realmente a gente não tem como saber. Mas o que a gente sabe – há estudos sobre isto - é que pacientes com câncer vivem mais se estão alegres, de bem com a vida”.

Quadro agravado
“Foi em dezembro de 2010 que o estado de saúde de meu pai se agravou. Ele teve um quadro de desidratação, induzido pela própria fase da doença. O paciente com câncer, em determinada fase da enfermidade, começa a ter menos disposição para se alimentar, para tomar líquidos, e ali ele desenvolveu um quadro de desidratação. Para contornar isto, teve de ser internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O médico dele, oncologista, pertence a este hospital, e o médico achou melhor fazer a internação”.

Últimos dias
“Os últimos dias foram de muito sofrimento. Ele, muito debilitado, mas querendo viver. Querendo viver o máximo que pudesse. Tentando lutar, tentando controlar a doença e tentando superar os problemas do dia a dia. Ele lutou até o fim. Eu acho que, nos últimos dias, ele pudesse ter dúvidas de que seria possível superar aquela fase ou não”.

Próximas eleições
“Nós estamos apenas iniciando a nossa contribuição política a nível de partido. O meu pai ele sempre preservou a gente de uma participação mais direta e ativa. Para que se tenha uma idéia, uma semana antes da convenção nacional do PDT, realizada no dia 25 de março de 2011, ele foi consultado e, pela primeira vez, aceitou e autorizou a inclusão de meu nome como membro do Diretório Nacional do partido. A nossa família e os companheiros do partido interpretaram isto como uma sinalização dele, já fragilizado pela doença, de querer que a gente começasse a dar alguma contribuição partidária. E nós estamos aceitando este desafio”.

Legado de Jackson
“É uma tarefa grandiosa, que não vai exigir somente de nós familiares, mas também de todos aqueles companheiros que dedicaram a sua vida à luta por um Maranhão mais democrático, mais justo e mais digno para a sua gente.
Então, não somente os familiares de Jackson, mas também os companheiros de luta do PDT e dos partidos aliados irão ter esta tarefa de agora em diante. Eu acho que cada vez mais o legado dele vai se tornar presente em toda discussão que envolver o futuro do Maranhão”.
Fonte: Jornal Pequeno

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Anuncie!